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E se, no meio desse frio todo, meu coração congelar? E aí? Vou ter que esperar até o verão para ele bater de novo?
E se muita coisa mudar? Vai que o meu coração esquece do que carregava quando ainda batia! Quem vai lembrar?
E se eu congelar? Pensa no tempo que eu vou perder! Alguém vai me ajudar a recuperar?
Por precaução, vou me agasalhar.
Arquivado em: poemas
Não quero perturbar
Mas será que alguém pode me explicar
Pra que serve o coração
Além de fazer chorar?
Chama, se faz acreditar
Ama, se faz calar
E depois de necessário
Se faz ausente
Te transforma em mais um carente
Que necessita amar
Não quero incomodar
Mas será que tu podes me ajudar
A conhecer meu coração
Ao invés de tanto falar?
Chamo, te faço acreditar
Amo, não quero calar
E nem tão necessária
Me faço ausente
Te transformo em mais um carente
Que logo vai se curar
Arquivado em: música
Sem tempo para escrever hoje, só estudar. E tossir!
Mas vai a recomendação:
Tick Of Time, por The Kooks.
Arquivado em: crônicas
Hoje, no ônibus, vi um homem entrar. De roupas limpas, porém rosto e corpo sujos, passou pela roleta com um ar de cansado. Sem desgrudar da rosa vermelha e da sacola de latas que trazia, sentou-se ao meu lado. Cedi o da janela. Me encolhi, afinal, o desconhecido sempre provoca medo. Onde ele estaria indo?
A mão segurava a rosa com uma delicadeza que um pedinte não poderia ter. Quebrava minha cabeça. Inventei mil hipóteses, mil histórias que pudessem se encaixar com aquele senhor de cabelo branco e rosto enrugado, e com aquela rosa, dona de um vermelho forte.
Não dirigiu o olhar a mim nem por um segundo, se ocupou o caminho inteiro olhando pela janela. Eu o observava sem nenhuma vergonha, enquanto concluía que aquele era um olhar machucado. Talvez não pela vida difícil que parecia ter, mas, sim, por amor. Onde ele estaria indo mesmo? Eu queria perguntar, me segurei.
Carência material era um mal do qual aquele senhor sofria, sem dúvidas. Mas nunca vi tanta carência amorosa explícita no rosto de ninguém como no rosto dele. A vontade de pegar um pouco daquilo pra mim e de saciar minha dúvida aumentou. Pensei: não consigo me segurar. Óbvio que me segurei.
Uma parada depois ele fez menção de se levantar. Abri espaço. Ele se levantou e, no momento em que chegou no corredor, sorriu para mim. Rapidamente, pensei: agora eu pergunto? Claro que não. Sorri de volta. Fiquei na dúvida.
Arquivado em: crônicas
Hoje é um daqueles dias que o sol vem, mas vem em parte. Vem só para não nos deixar no completo escuro, para marcar presença. Vem com bateria fraca.
No almoço, a beleza de dias nublados se tornou assunto. Beleza por minha parte, já que, enquanto eu defendia a poesia de uma tarde dessas, era suavemente atacada por contra-argumentos. Minha mãe, claro, já tinha respostas na ponta da língua:
- É por essas – e, claro, por outras – que o índice de suicídio na Europa é mais alto do que aqui; as pessoas se deprimem com a falta do sol. Outro exemplo são os nordestinos. Eles sofrem menos de depressão do que nós, gaúchos. Quanto mais perto de um pólo, menos sol. A falta de luz solar – ou uma pequena quantidade da mesma – influi muito na vida das pessoas.
Fiz a segunda tentativa:
- Ah, pára. Depressão… É psicológico. Se uma pessoa é depressiva a ponto de se matar, o sol não deveria ter tanta influência. Pra mim, isso tudo é questão de padrão. Alguém, há muito tempo, deve ter decidido que sol ia ser sempre sinônimo de alegria e o resto aceitou. Mania de padrão que essa gente tem! Sol é sinônimo de suor, isso sim.
- O sol traz luz, Elisa. Querendo ou não, luz é sinal de clareza. E clareza é algo que deve faltar na cabeça de alguém que se suicida, ou que se deprimi por isso…
- Ah, mas eu, por exemplo, gosto de dias assim. Ainda mais com esse vento, esse frio… E aí? Devo me considerar especial? Diferente?
- Deve te considerar parte da minoria, só.
- Sei lá.
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Um dos piores males dos quais o ser humano sofre, hoje em dia, é a falta de compromisso. As pessoas se acostumaram a fugir de qualquer tipo do mesmo; seja um namoro, seja um trabalho, uma amizade e, até, um simples blog.
Prometo tentar contribuir a favor de uma mudança; pelo menos na parte do blog.
