(apenas) Elisa


Mamãe orgulhosa
Junho 30, 2008, 9:32 pm
Arquivado em: crônicas

Há algumas semanas atrás, sofri um dos, na minha concepção, mais sérios acidentes que alguém como eu pode sofrer. O azar supremo, o equivalente a quinze espelhos quebrados para uma pessoa supersticiosa:

PERDI TUDO DO MEU COMPUTADOR.

Mas calma aí porque eu sinto que preciso especificar: discografias inteiras, fotos, trabalhos e textos. OPA! Alguém percebeu algo de errado? Textos. Sim. Foi o que, sem dúvida nenhuma, me doeu mais. E “textos” na forma generalizada, já que daí surgem as ramificações: poemas, crônicas, contos, letras de músicas.

O técnico do meu computador tinha vindo aqui um dia antes. Minha mãe andava tendo problemas na hora de ligar a coisa, não sei bem. Mas enfim, ele veio e, por descuido da minha mãe – não a culpem, santa alma – e ausência minha – não me culpem, santo coração – a ordem que ele recebeu foi de ignorar tudo que havia no C.: e só salvar o que tinha nos Meus Documentos. Adivinha onde os meus arquivos estavam?

Na hora em que dei falta de minhas coisas, o choque foi grande, gigantesco. Uma junção de sentimentos – alguns completamente opostos uns aos outros – me fez ter diferentes reações consecutivamente.

Primeiro o nervosismo da fase de busca, de procura: o pavor. Logo em seguida da descoberta, um acesso de risos. Sim! Foi rápido, admito, mas intenso. Engatado no riso, veio, finalmente, o choro. Chorei bastante. Ao som das frases de culpa e pedidos de desculpa vindos da minha mãe, eu sentia como se tivesse perdido um filho.

Não digo que ainda não recuperei nada. Claro, alguns amigos ainda tinham textos meus e eu achei uns rascunhos espalhados pela casa que me serviram. Mas, infelizmente, muita coisa desceu pelo ralo. Quem dera alguns dos sentimentos sofridos – de onde surgiu a inspiração para escrever um grande número de poemas – tivesse ido pelo ralo junto… Mas isso é outra história.

O que ouvi logo depois da perda foram frases de consolação e estímulo vindas de todos os lados que, sinceramente, não me disseram nada além do que eu já sabia. Agora ainda me vejo em fase de recuperação. Às vezes penso em determinada crônica (ou devo dizer desabafo?) e me dói bem lá no fundo.

Como eu disse, perdi um filho. Ou melhor: vários. E daqueles que fazem a mamãe, aqui, orgulhosa.



Los Hermanos
Junho 5, 2008, 4:24 pm
Arquivado em: música

Hoje, concluí: para ouvir Los Hermanos, tu podes estar em apenas dois estados de espírito; ou sofrendo muito por amor, ou amorosamente indiferente. Um te faz curtir a dor, o outro te faz curtir o som.

Porém, um aviso aos navegantes: esquecer amores ao som de Los Hermanos não presta, não funciona. Por isso, estou, neste momento, tirando as músicas deles do meu alcance.

Os vejo mais tarde, meus amores. Ambos.



E as cobertas?
Junho 2, 2008, 10:51 pm
Arquivado em: diálogos

- Oi.
- Oi!
- Quanto tempo…
- Bastante…
- Pois é, então…
- Quer ir para debaixo das cobertas?
- Quero. Posso encostar meus pés nos teus?
- Claro. Amanhã podemos repetir?
- Podemos. Quando anoitecer, vou te ouvir cantar?
- Vai. Vou te ver sorrir?
- Vai. E as cobertas?
- Tão logo ali.